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TÍTULO: Ecos de liberdade: propagação, adesão e reconversão à religiosidade tupinambá na Bahia quinhentista
RESUMO: Mamelucos participando de rituais indígenas, negros sendo batizados ao modo gentílico, brancos crendo que uma “seita” herética vinha da parte de Deus, índios contrafazendo os ritos católicos. Homens, mulheres, senhores de engenho, lavradores, escravos, capitães: muitos chegaram a crer nessa “abusão” e se “afastaram” da fé católica. Este é o cenário religioso do Recôncavo da Bahia que se descortina através das fontes inquisitoriais dos tempos da Primeira Visitação em fins do século XVI. O presente artigo lança olhar sobre esse cenário com o objetivo de compreender os processos de propagação, adesão e reconversão à religião tupinambá conhecida como Santidade de Jaguaripe, bem como as estratégias e mecanismos traçados pelos personagens da ação política indígena para a propagação das suas crenças, ritos e símbolos em um rico e complexo processo de mediação cultural.

TÍTULO: Conflito e mediação na "anticatequese" indígena: a disputa da fé entre caraíbas e jesuítas no cenário colonial
RESUMO: Ao nos debruçarmos sobre algumas correspondências jesuíticas, bem como em relatos de viagem temos “contato” com certos líderes espirituais que com suas cerimônias e pregações proféticas colocaram em xeque a mensagem jesuítica ameaçando desestruturar o projeto catequético nas terras luso-brasileiras. Esses homens portadores de uma oratória persuasiva e de influência marcante foram considerados pelos missionários os grandes adversários a conversão dos gentios da terra. Criaram estratégias de resistências e descrédito a mensagem jesuítica, mas também adaptaram ritos, emprestaram símbolos, mesclaram crenças em um rico e complexo processo de mediação cultural. Assim também o fizeram os jesuítas, apesar de lutarem com todas as forças contra os seus inimigos caraíbas, incorporaram deles os seus gestos, sua linguagem e persuasão. Dessa forma o presente artigo se dedica a análise do processo de mediação e conflito desencadeado no contexto colonial, principalmente no período que corresponde à propagação da Santidade de Jaguaripe, entre jesuítas e caraíbas.

TÍTULO: Circularidade cultural no espaço colonial: a Santidade de Jaguaripe e o processo de reinvenção identitária 
RESUMO: Ao analisar a documentação do Santo Ofício (processos, denunciações e confissões) 
em relação à Santidade de Jaguaripe, movimento indígena e sincrético que perdurou no Recôncavo Colonial (1585-1595), podemos observar que esta se difundiu não apenas entre os povos tupinambá, mas também entre os negros, brancos e mamelucos, muitos dos quais já haviam passado pelo processo de catequização 
católico. Em alguns casos pessoas confessam na própria mesa do visitador que se sentiram abalados e chegaram a crer que essa santidade era verdadeira, vinda da parte de Deus. Outros tantos participaram dos cultos e cerimônias dessa abusão considerada herética e idólatra pela Inquisição. Assim sendo, a Santidade de Jaguaripe é um espaço privilegiado para a reinvenção de identidades, onde diferentes grupos étnicos se influenciam mutuamente em um rico e complexo processo de circularidade cultural. Assim sendo o presente artigo reconstrói a história da Santidade de Jaguaripe e traz alguns pontos para uma pesquisa que está em 
desenvolvimento através do levantamento e análise de fontes relacionadas à Santidade de Jaguaripe tendo como objetivo o estudo do processo de transculturação interétnico que se deu através desta religiosidade ameríndia.

TÍTULO: Ao som dos maracás e sob a fumaça do petum: a Santidade de Jaguaripe e a "anticatequese" no cenário colonial 
RESUMO: Ao analisarmos a historiografia colonial podemos observar que muitos textos foram escritos e muitas obras já se debruçaram sobre a forma como os povos europeus viram, conquistaram, colonizaram, catequizaram e influenciaram as populações indígenas. Mas, apesar de nossa historiografia ter avançado nesse aspecto, ainda pouco se escreveu sobre o outro lado da história, e em relação a outra face da colonização, da conversão e da catequização, a face de um catolicismo “(re)inventado” e “(re)significado” no interior da cultura tupinambá, para além dos aldeamentos jesuíticos, mas também no interior destes, sobre as formas específicas que essas populações construíram para lidar com a colonização europeia, e de como as influências se deram de maneira recíproca. É nesse sentido que nosso artigo deseja privilegiar a cultura indígena, evidenciando a sua capacidade de influenciar a cultura dominante e impor limites aos processos de colonização e catequização. Assim desejamos explorar a “anticatequese” no espaço colonial através do embate da fé entre caraíbas e jesuítas. As correspondências jesuíticas e dos processos inquisitoriais em relação a Santidade Jaguaripe são fontes privilegiadas para analisamos esse processo e entendermos a resistência e contraofensiva indígena em relação a colonização e a catequização jesuítica.

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