Ensino


MAPA CONCEITUAL

O mapa a seguir poderá ser utilizado no ensino superior pelo professor da disciplina "História Indígena" para explicar a trajetória da história indígena, bem como os conceitos chaves para o ensino e pesquisa no Brasil:





PLANOS DE AULA

Plano 1 - Tema: A questão indígena
Assunto: A questão indígena nos Andes e no México no século XIX e XXI.
Objetivo geral: Enfocar as questões indígenas nos diferentes processos históricos na América.
Objetivos Específicos:
· Entender as diferentes visões interpretativas em relação aos povos indígenas;
 · Refletir sobre a participação indígena nas diversas estruturas sociais: econômico, político e cultural;
· Esquematizar os conflitos que envolvem os indígenas na América.
 Conteúdo:
· Diferentes visões interpretativas da realidade indígena: visões igualitárias e visões civilizatórias;
· Participação dos indígenas no processo de independência;
 · A questão indígena no cenário político boliviano e peruano.
Metodologia:
1. Apresentação e exposição do tema a ser trabalhado (5min.);
2. Contextualização histórica e localização geográfica dos grupos indígenas nos Andes e no México (15min.);
3. Teatralização: Debate ideológico entre o teólogo Bartolomé de Las Casas e o filósofo Gines de Sepúlveda (25min.);
4. Contextualização do cenário atual; Paralelo entre os debates. (10 min.);
5. Teatralização: em forma de um programa de TV com o objetivo de confrontar opiniões divergentes entre os presidentes Evo Morales (Bolívia) e Alan García (Peru) (25min.).
Recursos:
· Mapa da América;
· Data show, caixa de som;
· Vídeo da posse do presidente Evo Morales;
· Fotos/imagens em slides dos presidentes Alan Garcia, Evo Morales, comunidades indígenas;
Avaliação: Avaliação constante nos debates: no primeiro debate os alunos participarão dramatizando em forma do Conselho Real; a sala será dividas entre dois grupos onde defenderão Las Casas ou Sepúlveda. Na segunda dramatização os alunos irão opinar sobre as posições dos presidentes.

Plano 2 - Tema: História e cultura indígena 
Assunto: Os povos indígenas do Brasil no período Colonial.
Objetivo geral: Desconstruir as imagens estereotipadas em relação aos povos indígenas
Objetivos Específicos:
·   Entender algumas das visões que foram construídas em relação ao índio, onde, como, porque e para que, através da alteridade, entender o outro ao se colocar em seu lugar- social formativo;
·         Compreender a cultura e as formas de organização social das sociedades indígenas no período colonial. Desenvolver uma visão crítica e reflexiva em relação aos estereótipos- cognitivo.
Conteúdo:
· As visões que foram construídas no período colonial em relação ao índio; visão igualitária e visão civilizatória.
· Os costumes indígenas no período colonial;
Metodologia:
1.      Inicialmente pedir aos alunos para desenharem um índio, para mostrarem quais ideias os alunos tem. Mostrar aos alunos pinturas que retratam os indígenas no período e fotografias atuais;
2.      Em seguida questionar aos alunos em que os índios diferenciam deles e o que eles sabem dos índios, enumerando no quadro as idéias que os alunos tem acerca desses povos, mostrar de onde vieram essas visões;
3.      Explicar os elementos da cultura indígena a partir da sua lógica social e visões do mundo;
Avaliação:
Fazer cartazes mostrando os costumes indígenas ou fazer revistas em quadrinhos;
Recursos:
·         Data show; · Fotos/imagens em slides comunidades indígenas, cartolina, lápis de cor, hidrocor.
Referencias Bibliográficas
SCHUWARTZ, Stuart B. Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial. Cap. 2


MODELO DE PROJETO

Historia e Cultura Indígena: Uma Proposta de Ensino

Introdução:
Os povos indígenas tiveram sua história negligenciada e/ou marginalizada por muito tempo na nossa historiografia, o movimento de inserção dos povos indígenas e a visualização do seu papel importante na formação social, cultural e étnica do Brasil é um movimento podemos assim dizer recente. A escola não deixou de estar paralela (ou acompanhar esses processos), os índios foram na escola, e alguns casos ainda tem sido, ensinados apenas no contexto europeu das grandes navegações, e do dia do índio de forma flocorista, o que leva os alunos a construírem certas imagens distorcidas e estereotipadas. Essas imagens que inferiorizam os índios e que muitas vezes os colocam como seres inocentes, servem para criar no índio o papel de vítima que se manteve alheio ao processo de colonização, estando quase sempre no lugar de explorado e expropriado física e culturalmente. Deixam de colocar o índio no devido lugar que ele ocupa e vislumbrar o seu papel como agente no processo de colonização e formação da sociedade brasileira. A história e o seu ensino são responsáveis, junto a uma complexidade de situações, pela constituição de uma identidade nacional em que predomina a idéia de uma nação branca. A pluralidade étnica pode ser considerada em outros setores da vida social, porém na escola e, principalmente na vinculação dos saberes escolares, há um predomínio de parâmetros eurocêntricos e brancos.
Sobre a lei:
A tentativa formal de inserir a história indígena no ensino vem com a lei 11.645 de 10 de março de 2008 que modifica ou acrescenta à lei 10.639/03 a obrigatoriedade de ensino da história e cultura indígena. A lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. A lei traça alguns dos caminhos para o ensino de história da África e Indígena, “tais como a luta dos povos indígenas no Brasil, a cultura indígena brasileira e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.”. Todavia a própria lei traz termos que precisam ser relativizados pelo professor e apresentados aos estudantes. A lei generaliza e não incorpora a diversidade étnica, histórica, linguística e antropológica dos povos indígenas. E a lei só se faz eficiente se os professores tiverem compromissados com tal tarefa.

Nossa inquietação

Muitos artigos, TCC’s entre outros trabalhos acadêmicos criticam a forma errônea de se trabalhar a questão indígena, porém muitos pecam em só mostrarem o problema esquecendo-se de apresentar uma possível solução. Ao ver a lei e a forma, muitas vezes distorcidas que os povos indígenas aparecem na escola. Seja nas aulas nos eventos do dia do índio e nos livros didáticos especialmente colaboram para certas ideias em relação aos povos indígenas, nestes quase sempre os índios são apresentados como seres dominados e passivos ante ao europeu, inexpressivos culturalmente e politicamente; apresentam o europeu como superiores e detentores do poderio militar, ou seja, politicamente organizados. O presente trabalho foi concebido com o objetivo de desconstruir algumas dessas visões e mostrar como elas foram formadas e por quais propósitos foram construídas, apresentar uma nova proposta de ensino que mostre o papel desempenhado pelos povos indígenas politicamente e culturalmente, durante a história do Brasil. Podemos, assim, desconstruir algumas idéias que estão arraigadas no senso comum e são reproduzidas na escola. Devemos conduzir o estudante a entender que os fatos não existem por si, mas são construções interpretativas. Pois os fatos estão nas fontes e estas têm elementos subjetivos dos sujeitos que os construíram, imbuídos de visões de mundo e perspectivas.

O que está sendo trabalhado:

Os professores tem um papel fundamental nessa mudança. Por isso nosso primeiro passo foi verificar como alguns docentes da rede pública estão colocando o ensino de história indígena em prática. Entregamos para quatro professores de história uma pesquisa que apresentava a lei 11.645 (a principio pensamos em estar na escola entrevistar os professores, conversar com os alunos, mas devido as férias das escolas não podemos fazer isso, assim entregamos o questionário com duas semanas de antecedência) na integra e depois enumeramos duas questões: Diante desta Lei, como sua escola trabalha com a questão indígena, e qual a sua contribuição, e Como você ensina a história indígena? Quais os temas e métodos que você utiliza? Podemos perceber com estes questionários que o ensino de história indígena vem progredindo, e a questão da cultura indígena vem sendo valorizada. A escola tem feito palestras até com índios, projetos interdisciplinares etc. Os professores vêm trabalhando com textos que o modo de vida indígena ou àqueles que criticam a exclusão deste grupo social, textos também que mostram a visão de mundo deles, as crenças, os mitos. “Ao trabalhar com conceitos básicos como historiografia e sujeitos históricos, surgem debates acerca da importância dos índios na construção histórico-cultural do país.” Infelizmente o trabalho não é aprofundado como nos afirma uma professora devido a outros conteúdos que precisam ser ensinados. E elementos trabalhados ainda estão muito ligados a datas comemorativas e a história eurocêntrica.
Comentário das bibliografias pesquisadas:
Os textos que lemos mostram caminhos teorias e temas para a aplicação do ensino de história indígena. Mostram a necessidade de dar maior atenção à Educação Indígena na sala de aula e auxiliar na percepção de sua importância diante da sociedade brasileira. Atentando para a contribuição indígena na História do Brasil. A mitologia indígena, a língua e a divulgação da cultura são aspectos valiosos quando se objetiva modificar a visão da sociedade brasileira em relação ao meio indígena, já que pelo fato de pouco conhecer, não interpreta corretamente a realidade vivida pelo índio.
Uma proposta pedagógica:
Buscando contribuir na mudança da forma como é tratada ou ignorada a temática indígena na escola desenvolvemos juntamente com alguns trabalhos acadêmicos um projeto que contemple a diversidade indígena, objetivando refletir criticamente sobre as representações acerca do índio presentes em nossa sociedade e, assim, desfazer modelos e generalizações, possibilitando a construção de um conhecimento mais próximo da realidade indígena e dos estudos atuais sobre ela, valorizando o diálogo entre as diferenças. Pensamos numa proposta esquematizada e prática. Além disso, elaboramos pontos que devem nortear todo o ensino de história. Nossa proposta pedagógica é a Semana cultural: As identidades indígenas em foco. Que compreenderia um projeto interdisciplinar realizado pelos professores junto com os seus alunos. Como funciona o projeto: Durante um mês os professores de diferentes áreas trabalharão com conteúdos referentes a identidades étnicas e culturais indígena. Como a história, os rituais, os dialetos, as artes, salientando a sua importância na formação cultural e étnica do Brasil. Os professores e os temas seriam divididos por cada turma, após um mês de preparo os alunos apresentarão o resultado de suas pesquisas. Lançamos com a ideia de que se trabalhe com poesias, musicas (cantos indígenas), peças teatrais (dos mitos indígenas como o do surgimento do primeiro quarup, mito de origem), obras indigenistas e suas análises críticas (porque o índio foi exaltado pelo romantismo O guarani, Iracema poemas indigenistas também), feira com artesanatos indígenas pode se trabalhar também com debates em torno das representações filmes  e desenhos animados (quais estereótipos porque os índios são apresentados dessa maneira) documentários (Série: “Índios no Brasil.” SEF/SEED/MEC - “Uma Aula Guarani Eté”. Domingos Nobre. Disponível no Youtube)
 etc. Cada disciplina pode trabalhar com as questões indígenas em seus contextos:   
História: Memória e História; Mito e História, Literatura: Lendas e Mitos Indígenas. c) Artes: Arte e Cultura Material Indígena; Artesanato Indígena; Pintura Corporal. Matemática: Etnomatemática; Sistemas de numeração. Geografia: Território e territorialidades; Questão fundiária. Língua Portuguesa:Etimologia de palavras indígenas; Literatura Indígena; Línguas Indígenas. Ciências:Biodiversidade; Medicina Alternativa;  Farmacologia Indígena.
Considerações finais:
Mais do que isso o professor deve considerar alguns pontos. Mostrar aos alunos que não só foram os portugueses que deram o rumo da colonização, mas também os indígenas influenciaram nesse processo. Como nos mostra a historiadora Maria Regina C. Almeida (p.35). Apresentar que os índios não foram apenas aculturados mas, também os portugueses, que na formação do Brasil estas duas culturas interagiram. Todas as culturas se transformam e se influenciam permanentemente num processo que chamamos de interculturalidade. Os alunos devem saber que certas visões acerca dos índios foram construídas historicamente, mostrar onde e como surgiram. Desconstruir estereótipos os índios tem um lógica de vida e organização social diferentes da nossa. A relação de trabalho deles, portanto, é muito diversa da nossa, pois depende da terra, dos rios, da colheita sazonal, da extração mineral ou vegetal, das chuvas, da produção familiar de artesanato, da plantação, enfim, de uma enorme variedade de condições sócio-cultural e econômicas que diferem da nossa. E isso não os torna inferiores, mostrar a diferença. A partir de fundamentos teóricos como
Diversidade Cultural, que aponta para a necessidade de respeito à enorme variedade de culturas indígenas com línguas, religiões, modos de sobrevivência, economias e cosmovisões diferentes; Cognição, Aprendizagem e Conhecimento, que indica a existência de formas de construção de conhecimento específicas produzidas sócio-historicamente pelos povos indígenas; Processos de constituição da pessoa, que demonstra a variedade de processos sócio-históricos de concepção de sujeito e de sociedade existente entre os povos indígenas;(antropológicos) A História na perspectiva das minorias étnicas e não só na perspectiva do colonizador; A noção de “Temporalidades”, que inclui o tempo mitológico e não só o tempo cronológico cartesiano. (históricos).
 Muito está sendo feito e ainda há muito a fazer e a mudar e nós professores somos agentes dessa transformação que passa por alguns dos elementos que aqui procuramos apresentar.

Projeto desenvolvido por Jamille Oliveira Santos Bastos Cardoso, Rosana da Silva Ferreira e Willys Bezerra dos Santos na disciplina Ensino de História ministrada pelo professor Leandro Almeida no Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia). O projeto foi apresentado no 2º Seminário: Ensino de história e identidades culturais.



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